19 de jul de 2016

Meu avô



"Ao olhar esta foto senti uma saudade. Uma vontade de voltar no tempo só para entrar no escritório novamente e ver aquela estante cheia de livros, ver um senhor sentado em uma cadeira com seu óculos lendo aquela pilha de processos ou então me surpreender com a rapidez de seus dedos ao digitar na máquina datilográfica, olhar aquele telefone antigo e lembrar quantas foram as vezes que deixei a linha telefônica do escritório ocupada, só porque estava brincando de girar aquele "disco com números", e o grampeador que era enorme não entendia como ele juntava tantas folhas então lá ia eu grampeando todos os papéis que encontrava, aquela mala quadrada de couro marrom, quando viajava deixava cartinhas escondidas, ver o seu pulso todos os dias com o mesmo relógio de pulseira de couro preto, ficar olhando aquele velho e mal hábito que tinha com o cigarro que foi o principal motivo que te levou de perto de mim. Estudando Direito Penal, em seus livros, agora vejo suas anotações precisas o cuidado que tratava com essa matéria. 

O café, lembro-me quando dizia a minha avó "Bem, passa um café! Fulano virá." Não me lembro de um dia se quer que aquela casa ficou fazia, todos os dias muitas pessoas entravam e saiam. E o assunto, qual era? Direito e política, claro.

Estudar direito não foi uma escolha, foi história, foi orgulho que tenho de um Advogado criminalista, simplesmente ta no sangue! Pena, não deu tempo de me ver estudando Direito, queria seus conselhos e suas broncas Dr. Antônio Santoro. 

Ah, e o chapéu? Tornou-se uma boina, uns quilos a menos, uma voz mais baixa, um abraço forte. Virou estrela, memórias. Saudade."

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